
Se você gosta de assistir filmes nos seus momentos de folga, recomendo muito a produção "Milagres do Paraíso" de Patrícia Riggen. Ele retrata a história real de Annabel Beam, uma menina norte-americana que sofre de uma grave doença digestiva e, por isso, seus pais passam por uma crise de fé.
São várias as cenas deste filme que me edificaram e me levaram a louvar a Deus, mas teve uma delas que realmente se destaca. Num dos momentos mais críticos da história, Annabel tem uma parada cardíaca e acaba morrendo. Nesse momento, ela tem uma experiência com Deus. Nela, ela vai para um lugar que acredita ser o céu e se encontra com o Criador. Nesse encontro ela fala com Ele, porém, ao contrário do que imaginamos, a descrição desse diálogo é: uma conversa sem palavras. Deus se revela para Annabel e ela se comunica com Ele, mas não há a necessidade de verbalizar.
Confesso que essa possibilidade entrou em choque com a minha personalidade. Sou uma mulher falante. Gosto muito de conversar. Quando preciso me abrir com alguém, a minha principal ferramenta é a fala. Quando sou inspirada por uma canção de louvor a Deus, quando uma passagem bíblica me comove e quando uma pregação me edifica, a minha vontade imediata é escrever. Ou seja, as palavras, de um modo constante, são fundamentais na minha vida.
Por ser assim, até hoje os meus momentos de oração são pouco silenciosos. Eu fatalmente falo, falo, falo e falo. Mesmo que às vezes não saiam palavras da minha boca, na minha mente eu estou falando com Deus.
O fato de poder me comunicar com Deus, mesmo estando em silêncio, entra em choque frontal com a minha personalidade. Mas, desde que fui despertada para essa possibilidade, tenho aprendido como isso é possível.
No livro "Louco Amor" de Francis Chan, logo no primeiro capítulo, somos convidados a nos calar para apenas admirar a grandeza do nosso Deus.
O Salmo 19 diz que a natureza, as obras das mãos de Deus, revelam quem Ele é. Mas, confesse aqui comigo: você não tira tempo para olhar, ou tira? Já tentou largar o celular por 5 minutos e contemplar o céu, mesmo quando ele não está estrelado? Já fechou os olhos e escutou o barulho da chuva não com o propósito de relaxar, mas sim de perceber como os fenômenos da natureza são incríveis?
Sabe o motivo dessas práticas serem pouco apreciadas? Porque elas exigem silêncio e nós gostamos mesmo é de barulho. Mas eu te convido, cale-se! Ore, ore e ore um pouco mais. Mas fale pouco! O nosso Deus quer ser contemplado! "Vinde, contemplai as obras do Senhor" (Salmos 46.8).
"Ó Deus, tu és o meu Deus; procuro estar na tua presença. Todo o meu ser deseja estar contigo; eu tenho sede de ti como uma terra cansada, seca e sem água. Quero ver-te no Templo; quero ver como és poderoso e glorioso" (Salmo 63.1-2). "Abre os meus olhos para que eu possa ver as verdades maravilhosas da Tua lei" (Salmo 119.18).
No momento em que nos calarmos na presença de Deus, conseguiremos nos desconectar da nossa humanidade frágil e pequena e assim iremos nos reconectar com o Deus que quer ser adorado em espírito. Também nos daremos conta do quão necessitados somos da misericórdia Dele e do imensurável amor que Ele nos oferece. Talvez consigamos experimentar o que o profeta Isaías viveu:
Isaías 6.5
