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O Amor de Deus lhe Constrange?

Débora Jordan··0 visualizações
O Amor de Deus lhe Constrange?

Como é bom manter um relacionamento próximo com alguém que está sempre pronto a nos ajudar, nos fazer rir, conversar, dar carinho, enfim, demonstrar amor, não é mesmo? Não é a toa que todos nós buscamos a vida toda por este tipo de amigo, e quando conquistamos, fazemos de tudo para mantê-los por perto. Amar e ser amado é, sem dúvida, uma das maiores necessidades humanas.

Agora, você já se pegou naquela situação em que percebe que alguém tem e demonstra muito apreço por você, mas você (por puro descuido) não consegue retribuir-lhe da mesma forma? Um exemplo: a pessoa te encontra na rua depois de algum tempo sem contato, dá aquele sorriso, te abraça, pergunta como estão as coisas, chama-te para uma visita e você, em contrapartida, não lembra sequer o nome do sujeito(a). Constrangedor, certo?

Quando levamos esta explanação sobre amor um pouco mais adiante, como cristãos, não poderíamos nunca esquecer do maior símbolo de amor que temos: Jesus. Ele é a representação plena do amor, afinal, ninguém mais teria a capacidade que Ele teve: nos amar com tamanha intensidade e entrega, antes mesmo de nós o desejarmos. Em Romanos 5.8, o apóstolo Paulo revela um pouco da dimensão do amor divino:

Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.

Romanos 5:8

O amor de Deus, demonstrado em Jesus, foi de uma magnitude tão grande, que não pode ser mensurada. Basicamente, ele "humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz" (Fp. 2:8). Só a título de curiosidade, a crase que vemos no "à morte" não indica a passagem do tempo do nascimento ao dia da morte, mas sim, a consequência da obediência de Jesus: perda da vida.

Uma linha cronológica do amor de Cristo

1 — "No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus" (Jo 1.1). Jesus Cristo morava no céu desde a eternidade, porque nunca foi criado. Lá, tinha a adoração perfeita dos serafins (Is. 6.2-7). Além disso, por causa da separação que o pecado de Adão havia produzido entre a humanidade e Deus, Jesus não tinha nenhuma obrigação de cuidar, salvar ou abençoar alguém.

2 — "Porque Deus amou o mundo de tal maneira..." (Jo. 3:16). A raça humana estava condenada à perdição. Ninguém poderia ser salvo porque o pecado já nascia com as pessoas e delas nunca se afastava. Paulo, na carta aos Colossenses 2.14, afirma que contra todos nós o diabo tinha uma cédula que ninguém além de Jesus, o ser perfeito, poderia pagar. Além do pecado que nos separava de Deus, havia um agravante considerável: a ignorância humana. Na verdade, o mundo odiaria a Jesus (Jo. 15.17). Contrariando a lógica humana, Deus nos amou de forma imensurável e decidiu enviar a Jesus para esta terra.

3 — "Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho..." (Mt. 1.23). Jesus decidiu vir a este mundo. Nasceu de uma mulher, na situação mais inapropriada possível — a manjedoura — sabendo que o seu futuro não lhe reservaria glória nenhuma, apenas o compromisso de pregar a verdade de Deus, ajudar aos que necessitassem, ser constantemente questionado, morrer da forma mais dolorida possível e instituir a igreja. Aqui na terra, Ele nunca pecou, embora fosse 100% homem também, sujeito às mesmas fraquezas, sentimentos e necessidades (Hb. 4.15). Jesus só fez o bem: curou, libertou, salvou, ensinou e deixou um legado que ultrapassaria os séculos.

4 — "Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens..." (Is. 53.3). A incredulidade e soberba humana chegaram a um ponto tão absurdo que, mesmo demonstrando visivelmente através de milagres, comportamentos e palavra, Jesus foi desprezado por aqueles que estavam ao seu redor. Quando o tempo certo chegou, os líderes religiosos não pestanejaram: subornaram a Judas (Mt. 26.15,16) e prenderam a Jesus (Mt. 26.50).

5 — "...e, tendo mandado açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado" (Mt. 27.26). Depois de ter sido muito humilhado verbal e moralmente, Jesus foi açoitado até ficar à beira da morte por hemorragia. Em seguida, foi encaminhado para a via crucis, carregando uma cruz de aproximadamente 50kg pelas ruas de Jerusalém, sendo escarnecido, humilhado e açoitado. Chegando ao Gólgota, teve suas mãos e pés pregados na cruz e ficou agonizando por seis horas — teve sede, recebeu vinagre e provocações, pediu ao Pai que perdoasse aos ofensores, assumiu nossos pecados sem nunca ter pecado, padeceu solidão e ainda assim salvou o ladrão arrependido. Morreu como o mais indigno dos homens, apenas para garantir que nós tivéssemos a chance de nos reconciliar com o Pai.

Agora, responda para si mesmo: o que você sentiu ao acompanhar toda esta narrativa detalhando o amor de Deus? Ficou emocionado, chorou, sentiu um nó no estômago, ficou com o peito apertado? Sentiu alguns arrepios?

Se foi apenas isso, eu lamento profundamente. Não quero aqui exigir que as minhas palavras sejam tão poderosas assim para mudar a vida de alguém. Contudo, é inadmissível que tamanho amor demonstrado pelo Cristo provoque apenas algumas reações passageiras em nós. O constrangimento, a vergonha pela própria situação pecaminosa, ingrata e muitas vezes ignorante é o mínimo que temos que sentir.

O sacrifício da cruz foi muito grandioso para você não querer ser melhor, não sentir a necessidade de buscar mais a Deus, agradecê-lo e honrá-lo sempre mais no dia a dia. O apóstolo Paulo se referiu ao sacrifício da cruz como um escândalo (1 Co. 1.23), porque ela é o oposto total daquilo que se esperaria de alguém. Não foi para nos fazer chorar que Jesus morreu, foi para nos fazer entender que sem Ele nada somos, que sem a Sua graça estaríamos perdidos literalmente e inevitavelmente conduzidos ao inferno.

Não endureça o seu coração para tão grande salvação que Deus lhe oferece. Leve seu relacionamento com Jesus a sério, pois Ele não estava de brincadeira quando se entregou por nós.

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