
Lendo alguns versículos da carta que o Apóstolo Paulo enviou a Tito, seu discípulo, encontrei um que me chamou a atenção pela coerência com os dias que nós estamos vivendo, mesmo tendo sido escrito há mais de mil anos. "...vivamos neste século sóbria, e justa, e piamente" (Tito 2.12b).
Estas três qualidades — sobriedade, justiça e piedade — são pilares deixados por Cristo que não são apenas bons, mas antes necessários, fundamentais, imprescindíveis na vida de qualquer pessoa que acredita na divindade de Jesus Cristo. Além disso, antes de representar o cristianismo, elas são necessárias na vida de todo ser humano que deseja ser alguém de bem.
A sobriedade, apontada neste trecho bíblico, está ligada à moderação, temperança e equilíbrio, ou seja, é o contrário do fanatismo e do radicalismo. Em termos práticos, uma pessoa sóbria tem um comportamento que busca a equidade entre os dois lados. Quem se deixa levar pela emoção, normalmente, tende a comportar-se de forma radical. Por outro lado, a pessoa moderada busca inter-relacionar os dois polos para que exageros sejam evitados.
Um exemplo claro de falta de sobriedade que vivenciamos no nosso dia a dia é o antagonismo do machismo e do feminismo. No primeiro caso, os homens são considerados superiores e, simplesmente pelo seu sexo, arrogam-se o direito de exercer um domínio sobre as mulheres. Já no outro polo, estão as mulheres que, na busca por se determinarem como agentes ativas da sociedade, querem neutralizar o importante papel do homem no progresso social. Ambos são negativos. Deus criou o macho e a fêmea com características e qualidades diferentes para que ambos possam viver bem, aliando suas forças e compensando suas fraquezas entre si.
Outro elemento que anda em falta na nossa sociedade é a justiça. Vale ressaltar o significado desta palavra para que ela não seja confundida com vingança. Conforme o dicionário, justiça é a qualidade do que está em conformidade com o que é certo. Alguém justo, portanto, não é simplesmente aquele que evita o mal, mas sim que faz o bem sempre. A Bíblia diz em Efésios 6.14 que nós devemos nos proteger com a couraça da justiça.
Se formos analisar o sentido figurado deste versículo, entendemos que a justiça é o que protege o nosso coração e os nossos pulmões, órgãos fundamentais na sobrevivência do ser humano. Ou seja, ela é, além de uma qualidade de quem serve a Deus verdadeiramente, um pré-requisito para que possamos ter uma vida longa e com qualidade. Além disso, segundo o sábio Salomão, os benefícios de alguém que anda em justiça se estendem até às gerações depois dele.
Provérbios 20.7
Por último, mas tão importante quanto os outros elementos, temos a piedade. Piedade é o que podemos chamar de amor prático. Este é o maior mandamento deixado por Jesus, e o que diferencia o cristianismo das outras religiões: "amar a todos". Pelo dicionário aprendemos que piedade é a compaixão pelo sofrimento alheio, uma espécie de empatia. Não podemos dizer que somos piedosos se, quando nos deparamos com alguém sofrendo e precisando da nossa ajuda, simplesmente conseguimos "deixar prá lá".
É bom lembrar que o mandamento é para que o nosso amor, piedade, não se estenda somente àqueles que querem o nosso bem, mas inclusive aos nossos inimigos (Lucas 6.27). Este posicionamento humano e benevolente é o que atrai a bênção de Deus para as nossas vidas. O Apóstolo João disse que "qualquer que não ama seu irmão não é de Deus" (1ª João 3.10).
Medite nessas três qualidades que nós devemos ter: sobriedade, justiça e piedade. Tenha-as enraizadas na sua mente para que, dentro da sua rotina — trabalho, trânsito, lazer, igreja, relacionamentos, etc — você contribua para um mundo melhor.
