
A decadência moral do ser humano ultrapassa cada vez mais limites todos os dias. Não é à toa que famílias se desintegram facilmente, crimes hediondos multiplicam-se e um sem número de atrocidades nos mais diversos níveis da sociedade são noticiados constantemente. O egoísmo das pessoas chegou a um nível tão alto que já não se importam mais em proteger seus relacionamentos mais próximos, muito menos esforçar-se para que eles sejam duradouros.
É em meio a esse caos social que nos deparamos com pessoas feridas, magoadas, que acreditam na retaliação como forma de curar seu interior e, por isso, negam o perdão aos seus algozes com a célebre frase "quem perdoa é Deus".
É claro que é o perdão de Deus, impulsionado pelo Seu grande amor por nós, que nos dá a chance de termos a vida eterna. Porém, os ensinamentos de Jesus são muito claros quanto à nossa responsabilidade de também perdoarmos aos nossos ofensores. Esse mandamento indica que, assim como amar ao próximo, nós temos que tomar a decisão pessoalmente.
Se você acredita que não consegue perdoar e espera que Deus lhe dê esta capacidade, engana-se. Deus já lhe deu quando te criou. O esforço, a partir daí, deve ser de nós mesmos.
Jesus, quando ensinava aos seus discípulos, falou várias vezes sobre o ato de perdoar. A frase mais célebre acerca disso é aquela que está na oração universal do Pai Nosso: "E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores" (Mateus 6.12). Ela nos indica que há uma troca entre nós e Deus: Ele nos perdoa à medida que concedemos perdão aos outros.
Essa verdade pode ser verificada também através da Parábola do Credor Incompassivo, que teve sua dívida perdoada pelo seu senhor, porém, na hora de perdoar um terceiro que lhe devia não teve compaixão. Quando aquele que havia o perdoado descobriu essa maldade, mandou que o prendesse. Jesus comparou o Pai Celestial com este senhor que entregou o credor que não concedeu o perdão para ser atormentado.
Não há um limite para a quantidade de vezes que devemos perdoar. Jesus ensinou que devemos fazê-lo 490 vezes por dia — 70 x 7 — (Mateus 18.21,22).
O detalhe é que em nenhuma dessas referências sobre a nossa responsabilidade de conceder perdão, Jesus deixou escrito que é fundamental que aquele que errou peça o nosso perdão. Isso demonstra que há chance sim de termos que perdoar alguém que não reconhece o próprio erro ou que não valoriza nossa atitude de misericórdia. Observemos o comportamento de Jesus, quando estava sendo crucificado. Em momento algum os soldados que o torturavam pediram que Ele os perdoasse, porém, Jesus rogou que o Pai fizesse isso.
Lucas 23.34
Se você se sente magoado por alguma maldade que fizeram com você, saiba que isto é normal, afinal, nós somos seres humanos com sentimentos e emoções. Porém, acredite, sua cura interior e a manutenção do seu bom relacionamento com Deus dependem do seu desprendimento do próprio "eu" e da concessão do perdão. Peça ajuda ao Espírito Santo, que nos entende e nos fortalece para que possamos cumprir com nossa missão.
