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Indiferença: Banalização dos Sentimentos

Débora Jordan··0 visualizações
Indiferença: Banalização dos Sentimentos

Uma opinião pessoal que carrego comigo desde que me entendo por adulta é de que o contrário de amor não é o ódio, mas sim a indiferença. Isto porque, por mais que a raiva, a mágoa e o ódio são descaradamente sentimentos negativos em relação à outra pessoa, eles ainda demonstram a humanidade de quem os sente. Além disso, para que tais emoções deixem de existir, basta que sejam arrancadas do coração, como uma erva daninha do jardim.

Por outro lado, a indiferença demonstra a não-existência de sentimento algum. É como se, no lugar de um jardim com flores, e talvez até alguma planta ruim, existisse apenas um terreno baldio, sem nada. Para que haja algo neste local, será necessário um trabalho árduo de arar a terra, semear, regar, adubar e por fim manter o plantio.

A nossa sociedade tem muitos casos de ódio que refletem nos índices de violência. Estes podem ser contabilizados porque são indicados pela lei que nos rege. Agora, você já parou para pensar em quantos crimes são cometidos por nós todos os dias, apenas por não fazermos algo? Estes são os chamados pecados de omissão. Se, pela lei terrena eles não são condenáveis, conforme a Palavra de Deus, eles são tão nocivos quanto os pecados de ação. "Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado." (Tiago 4.17)

Jesus, durante a sua vida aqui na terra, demonstrou com atitudes variadas como é lindo e fundamental para uma vida vitoriosa a consideração pelos sentimentos dos outros. Nos momentos de alegria, Ele sabia se alegrar junto. Um exemplo disso, foi a participação dele em uma festa de casamento em Caná da Galileia, quando operou o primeiro milagre transformando água em vinho. Jesus, como qualquer um de nós, provavelmente estava feliz por aquela celebração da família, por isso, estava lá presente e operou o milagre que tornou tudo ainda mais prazeroso para todos.

No lado oposto desta alegria, os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João nos trazem diversos relatos de como Jesus lamentava, e logo agia, quando encontrava com alguém que estava sofrendo, precisando de um milagre. Em Marcos 6.34, Jesus compadeceu-se da multidão que o esperava no deserto porque as pessoas que estavam ali eram como ovelhas sem pastor, por isso, logo começou a ensiná-las. Em casos mais pessoais, Jesus demonstrou profunda compaixão por quem não tinha esperança alguma, como a viúva de Naim que estava enterrando o único filho. Esta compaixão o fez ressuscitar o menino.

Romanos 12.15

Este ensinamento está intimamente ligado com a humanidade que temos que cultivar na nossa vida diária. Apesar de parecer muito óbvio, este é um comportamento que tem sido esquecido por muitos, inclusive pelos cristãos. A mistura do sentimento de egoísmo que é muito estimulado em nossa sociedade, com a banalização da violência que tomou conta das mídias, resulta em pessoas que não se comovem mais com o sofrimento dos outros. A maioria de nós prefere encontrar razões e culpados para as tragédias sociais a estendermos as nossas mãos e o nosso coração em favor de alguém.

Para que isto mude, é necessário mais do que discursos e projetos de ajuda ao próximo. A "re-sensibilização" do ser humano é uma obra que só pode ser feita pelo Espírito Santo. Mas, o detalhe, é que Ele só fará isto, na medida em que a própria pessoa permitir. Enquanto eu e você estivermos montados no "cavalo da razão", do orgulho e do ego, Deus não terá espaço para limpar o terreno do nosso coração e, portanto, conseguir plantar sementes que irão gerar frutos de longanimidade, bondade, amor e sensibilidade.

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