
Na sequência dos textos sobre como ser um comunicador que honra a Deus e, por isso, evita muitos problemas de relacionamento, vou tratar sobre o meio que usamos para passar uma mensagem, ou seja, a forma de comunicar-se.
Tão importante quanto ter coisas relevantes e valiosas para repassar a alguém, é o jeito com que fazemos isso, sim porque, muitas vezes, mesmo palavras construtivas e abençoadoras, quando ditas da maneira errada, se revertem em problemas e confusões.
Nos dias de hoje, as formas que temos para nos comunicar com alguém são diversas. A internet com o seu lema "aproximando quem está longe", é considerada indispensável para a maioria de nós quando se trata de trocar ideias, conhecer novas pessoas, trocar mensagens com amigos distantes e até facilitar o diálogo com nossos parentes. Porém, ela deve ser encarada como uma ferramenta muito útil para conversas mais descontraídas e rápidas.
Usar seu email, aplicativos de mensagens, redes sociais e celular para discutir a relação com seu cônjuge, tratar sobre um problema com seus pais ou decidir assuntos importantes com qualquer pessoa é, no mínimo, perigoso. Isto porque, o tom de voz e a nossa linguagem corporal são fundamentais para que nossas palavras sejam bem entendidas. Se não há outro jeito, ok, porém, nada se compara com a eficiência e eficácia de uma conversa "olho no olho".
Além da chance de ser mal – interpretado, as formas tecnológicas de se comunicar, muitas vezes são usadas como ferramentas de ataque. Algumas pessoas, por sentirem-se protegidas atrás do aparelho de celular e do computador, falam coisas que jamais diriam se estivessem olhando nos olhos do seu interlocutor. Isto é ruim, pois, demonstra que a intenção de dizer aquelas palavras é de apenas desabafar e não acrescentar alguma coisa positiva para quem o ouve. Todo sentimento de empatia e consideração é facilmente ignorado quando nos "escondemos" atrás dos aparelhos.
Podemos ter um bom exemplo de como as palavras ditas pessoalmente são mais eficazes e eficientes na comunicação. O Apóstolo Paulo, quando escreveu a carta aos irmãos de Corinto chamando a atenção deles para celebrarem a Santa Ceia da maneira correta, deu diversas instruções através dela (1ª Coríntios 11.34). Contudo, ao terminar o assunto, é provável que tivesse mais algumas coisas a dizer a eles de caráter mais pessoal porque escreveu: "Quanto as demais coisas, ordená-las-ei quando for ter convosco".
Outro cuidado que devemos ter é com relação ao tom de voz que usamos. Já ouvi uma história que tratava muito bem sobre isso. Havia dois homens em uma praça pública. O primeiro era um abençoado pregador do evangelho. Apesar de suas palavras serem abençoadoras e edificadoras, poucas pessoas paravam para ou ouvi-lo. O segundo, no outro canto da praça, era um palhaço ridículo que apenas contava piadas. A plateia deste era infinitamente maior. Ao chegar ao fim do dia, o pastor entristecido com aquela realidade, foi conversar com o palhaço para saber qual era a forma que ele usava para atrair tanta gente ao seu show. Este simplesmente lhe respondeu: "Você fala verdades como se fossem mentiras e eu falo mentiras como se estas fossem verdade". Ou seja, o segredo do sucesso daquele comediante não estava propriamente no conteúdo das suas palavras, mas sim na maneira como ele repassava aquilo para as pessoas.
Quantas vezes nós, mesmo com a melhor das intenções, somos mal interpretados porque ao invés de escolher o melhor tom de voz para falar, ignoramos esta decisão. Na verdade, em nossas conversas nós seguimos muito mais o nosso instinto do que a coerência. Um exemplo: Quando você está no meio de uma discussão com seu cônjuge ou pais, você consegue perceber que aumentar o tom de voz só irá piorar a situação? Salomão foi muito feliz quando nos deixou este ensino: "A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira" (Provérbios 15.1). Ele não citou em momento algum o que eu e você devemos falar, mas focou na forma que devemos usar.
Até mesmo na nossa oração devemos pensar na forma como vamos nos comunicar com Deus. Jesus deu um exemplo disso quando diferenciou a oração do fariseu e do publicano. O primeiro, além de demonstrar toda sua soberba na oração, citando para Deus os pecados que não cometia, mantinha seu olhar altivo e o tom de voz alto para que todos ouvissem sua oração. Por outro lado, o cobrador de impostos, quando se apresentou diante do Pai para orar, humilhava-se e pedia perdão pelos seus pecados, batendo as mãos contra o próprio peito, numa profunda demonstração de humilhação. Jesus disse que este, por usar a maneira correta de falar com Deus, teve os seus pecados perdoados (Lucas 18.14).
Ser um comunicador excelente é fundamental para termos sucesso na nossa vida pessoal, social, familiar, profissional e espiritual. Por isso, preste atenção à maneira que você tem escolhido para se fazer entender. Um vocabulário rico e correto é ótimo em uma conversa, mas nada se compara com o tom de voz adequado no diálogo.
